Perfil e Comportamento do Consumidor Moçambicano

A Intelsight Lda realizou um estudo de mercado com o objectivo de compreender o perfil, os hábitos e as motivações de consumo da população moçambicana. A investigação procurou identificar padrões demográficos, financeiros e comportamentais que influenciam as decisões de compra, oferecendo uma base estratégica para marcas, instituições e empreendedores que pretendam actuar com maior eficácia no mercado nacional.

No que respeita à metodologia, o estudo decorreu entre os dias 6 e 10 de Outubro de 2025, através de um inquérito online que recolheu 1.207 respostas válidas. A abordagem foi quantitativa, descritiva e exploratória, permitindo medir comportamentos objectivos e detectar tendências emergentes. A recolha dos dados foi voluntária e anónima, assegurando diversidade e confidencialidade dos inquiridos.

Principais Insights

Faixa etária predominante: a maioria dos inquiridos, o equivalente à 61,7% da amostra, tem entre 18 e 35 anos de idade, confirmando o peso da juventude como força activa no mercado moçambicano.

Nível académico: 34,9% dos inquiridos concluíram o ensino médio e 29,2% frequentam o ensino superior, o que indica um público com formação relevante e potencial de mobilização económica.

Classificação de Gastos por Importância: Os resultados do inquérito evidenciam que os gastos com saúde e bem‑estar são a principal prioridade, com 94,6% dos participantes a atribuírem elevada relevância a esta categoria. Em seguida surge a alimentação, considerada fundamental por 89,1% dos inquiridos, reforçando o seu papel como necessidade básica. O transporte aparece com 74,5% de classificações positivas, refletindo a sua importância para grande parte das pessoas, ainda que com variações ligadas ao contexto de deslocações e condições financeiras. O vestuário reúne 72,8% de avaliações de maior importância, mostrando-se relevante para a maioria, mas sujeito a estilos de vida distintos. Por fim, a poupança destaca-se com 68,2% de classificações positivas, confirmando que continua a ser valorizada por muitos participantes como parte essencial da gestão financeira, mesmo quando equilibrada com outras despesas imediatas.

Ocupação e Rendimento: a maioria dos inquiridos trabalha a tempo inteiro ou desenvolve actividade empreendedora. Contudo, 47% da amostra vive com menos de 10.000 meticais por mês, evidenciando-se as limitações financeiras dos moçambicanos.

Poupança: apesar dos baixos rendimentos, 42% dos inquiridos conseguem poupar dinheiro regularmente. Entre os que poupam, destacam‑se motivos como emergências e investimento em negócios (6,4% cada), seguidos da compra de artigos de valor (2,9%) e de casa ou terreno (2%). As razões variam conforme necessidades e objetivos, indo da segurança financeira ao crescimento pessoal e aquisição de bens duradouros.



Factores que influenciam a decisão de compra

Na decisão de compra, os consumidores valorizam sobretudo preço e qualidade, seguidos pela disponibilidade imediata dos produtos. Também têm peso relevante o atendimento ao cliente e a marca, que reforçam confiança e reputação. As recomendações de família e a publicidade influenciam consideravelmente, enquanto avaliações online e influenciadores digitais desempenham um papel complementar, mais visível em contextos digitais.

Métodos de pagamento

O estudo mostra uma hierarquia evidente nas preferências dos consumidores. O dinheiro continua a ser o método dominante, sustentado por confiança, acessibilidade e hábito, sendo valorizado por 93,5% dos inquiridos. O Emola surge como a principal alternativa digital, reconhecido por 86,3% dos participantes pela sua praticidade e segurança. Em seguida, o Mpesa é considerado relevante por 73,4%, destacando-se pela facilidade de uso e presença quotidiana. O cartão de débito revela menor adesão, com apenas 46,9% a atribuírem-lhe importância, mantendo-se secundário face ao numerário e às soluções móveis locais. Por fim, o Mkesh aparece como o menos valorizado, com apenas 17,5% dos consumidores a reconhecerem-lhe relevância, enquanto a maioria não o considera significativo.

Níveis de satisfação dos consumidores

48% dos inquiridos atribuiram 3 estrelas, enquanto 21,8% atribuiram 4 estrelas. Já 23% atribuiram 1 ou 2 estrelas, e apenas 6,1% atribuiram 5 estrelas. Estes resultados mostram que a maioria avaliou os serviços com satisfação moderada, mas ainda há uma parte significativa de insatisfeitos e uma minoria plenamente satisfeita, o que evidencia espaço para melhorias na qualidade, nos preços e na acessibilidade dos produtos e serviços disponíveis no país.

Onde os consumidores se informam antes de comprar

O estudo mostra que os canais mais utilizados pelos inquiridos foram os amigos (30%), seguidos do Google (24%), WhatsApp (20%), Redes sociais em geral (18%) e Instagram (14%). Estes resultados evidenciam diferentes preferências de comunicação, oferecendo pistas importantes para estratégias mais eficazes de divulgação de produtos

Frequência de compras

O estudo mostra que os hábitos de consumo são diversos: 48% fazem compras mensais, 27% semanais e 25% diárias. Estes resultados refletem diferentes necessidades, estilos de vida e níveis de rendimento, evidenciando que a frequência das compras varia conforme produtos adquiridos e organização do orçamento familiar.

Frequência de compras online

O estudo mostra que 48,2% dos inquiridos nunca fazem compras online, enquanto 37% compram 1 à 2 vezes por mês, 10% entre 3 à 5 vezes e 5% mais de 5 vezes por mês. Conclui‑se que o comércio digital ainda não é generalizado, embora exista um grupo ativo de utilizadores com frequência moderada.

Desafios enfrentados ao efectuar uma compra

Os consumidores enfrentam dessfios sobretudo o preço elevado, citado por 63,1% dos participantes, seguido pelo mau atendimento (12,4%) e pela baixa qualidade dos produtos (9,6%). A falta de conhecimento dos vendedores representa 9,2%, enquanto a escassez de informação online em lojas físicas soma 7,1% e a ausência de plataformas digitais confiáveis fecha com 5,3%. Muitos relatam problemas simultâneos de preço, qualidade e atendimento, o que torna a compra menos satisfatória. Estes resultados apontam para a necessidade de melhorar o atendimento, formar vendedores, garantir qualidade e reforçar plataformas online seguras e informativas.

Em síntese, o consumidor moçambicano caracteriza-se por ser jovem, resiliente e empreendedor, embora enfrente desafios financeiros relevantes. A valorização crescente da poupança e da formação profissional aponta para um mercado em evolução, onde a estabilidade económica e o acesso à informação serão determinantes para decisões de consumo mais conscientes.

Se deseja conhecer em maior profundidade os resultados e tendências identificadas, voltadas para o seu negócio, a Intelsight disponibilizará o relatório integral. Solicite o acesso e descubra como estes insights podem orientar as suas estratégias de mercado e torna-las mais eficazes.

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